HISTÓRIA

BREVE RESUMO HISTÓRICO

Em 15 de Abril de 1866, Braga sofreu um dos maiores incêndios de que há memória.
A Biblioteca de Braga, que havia sido criada em 1842 e concentrava os espólios dos Mosteiros de Tibães, Rendufe, Landim, Vilar de Frades, Bouro, Basto, Fiães, Ganfei, Refojos e tantos outros da região, e ainda o arquivo do Cartório da Misericórdia de Braga, ficou reduzida a cinzas, à excepção de uma pequena parte na ala sul.

Foi uma perda de valor incalculável, e as populações da época sentiram-no verdadeiramente. De entre alguns dos que acudiram ao incêndio, com baldes, potes e toda a espécie de vasilhas e, como é bom de ver, se sentiram completamente impotentes no combate às chamas, surgiu a ideia de formar uma corporação de voluntários que pudesse acudir a estas calamidades, com material apropriado e pessoas minimamente instruídas.
Foi assim que, apesar das inúmeras dificuldades e burocracias, habituais na época, um grupo de ilustres bracarenses não desistiu enquanto não arranjou local para o quartel, algum material e algum fardamento.
Entusiasmados, formaram uma Comissão Fundadora que, em 18 de Março de 1877, anunciou a criação, em Braga, de um corpo de Bombeiros Voluntários, e entregou no Governo Civil de Braga, para aprovação, os que são os seus primeiros Estatutos. Nasceu assim a “Real Associação dos Bombeiros Voluntários de Braga”.
Foi sua primeira sede um prédio na rua Nova de Sousa que, à época, pertencia à “Carris de Braga”, e escolhido para primeiro Comandante do Corpo Activo o Dr. José Borges de Faria, pai desses heróis de Portugal, imortalizados como “os irmãos Roby”.

A Associação passou depois por vários outros locais, até se instalar num prédio, junto à Catedral, onde, mais condignamente, permaneceu durante muitos anos, Daí que ainda hoje, muitas pessoas, em Braga, tratem carinhosamente os voluntários como os “Bombeiros da Sé”.
Com o fim da Monarquia, foi retirada à Associação a conotação “Real”, e esta passou a chamar-se “Associação dos Bombeiros Voluntários de Braga”.
Em 1927 e por alteração dos seus Estatutos, à sua denominação oficial foi acrescentada a qualificação de “Beneficente”, pois, como julgamos saber, naquela época as Instituições de carácter beneficente, gozavam de algumas benesses, em termos fiscais.

Com o passar dos anos, com a aquisição de alguns materiais de combate ao fogo, entre os quais de destacava uma excelente moto-bomba, as instalações dos bombeiros da Sé tornaram-se acanhadas e pouco operacionais.

Nasceu assim outro desafio: a construção de um quartel novo, espaçoso, operacional e que fosse o orgulho da Corporação.
Não foi tarefa fácil, mas o entusiasmo e a tenacidade de uns tantos bombeiros com farda e sem farda, não se deixaram vencer pelas dificuldades. Inventaram todo o tipo de iniciativas, desde tômbolas, sorteios, peditórios na cidade e em todas as freguesias, concertos musicais e tantas outras…, mas valeu a pena.
Em 27 de Março de 1977, por ocasião das comemorações do centenário, foi festivamente inaugurado, no Largo Paulo Orósio, o novo quartel/sede, à época majestoso, onde ainda se mantém a “Associação Humanitária e Beneficente dos Bombeiros Voluntários de Braga”.